Vamos ao primeiro review de produto geek/gamer do blog! A começar por este objeto do qual, provavelmente, não emprestarei a ninguém: meu exemplar de
A Cruzada Secreta. Primeiro gostaria de contar a história dele. Em 14 de dezembro de 2012, a página da
Ubisoft Brasil no Facebook lançou a seguinte campanha: em uma parceria com a Submarino, seriam sorteados 10 coletâneas com os 3 primeiros livros do AC, mas para ganhar, você teria que fazer um video explicando o porque você merece ganhá-los. Você pode
assistir meu video aqui (momento seu passado te condena).
Enfim, por mais trash que o video seja, eu ganhei o box com A Cruzada Secreta, Renascença e Irmandade. E cá estou, para resenhar o primeiro deles.
ENREDO:
O livro começa contando-nos o que realmente aconteceu um pouco antes do começo do jogo, em que Altair é acusado de traição, parte esta não explorada no game. A missão dada à Altair falha porque, mesmo sendo jovem, já era um dos melhores assassinos da ordem e isso lhe deu uma dose de confiança muito alta. Isso o fez subestimar um oponente e a missão falha. Logo depois desta parte, a história começa e se desenvolve normalmente como no jogo, até a morte de Al Mualin, que marca a metade do livro. O restante é sobre o que aconteceu depois, parte que não foi explorada nos jogos e que então, se tornam novidade aos olhos dos leitores. Sim caros geeks, METADE do livro é novidade, o que o torna quase que uma leitura obrigatória para os fans. Como assim ele se apaixonou por uma templária? Por que Abbas era tão revoltado? Como ele perdeu seu posto de mestre na ordem? Como a recuperou? Por onde andou a Maçã? Apesar da maior parte da segunda metade do livro ser novidade, há também os capítulos que vimos em AC Revelations, quando Ezio revive as memórias guardadas nas Chaves de Masyaf, como quando Maria morre e quando Abbas é derrotado.
Há também no livro, alguns capítulos "perdidos", que falam como foi a infância e juventude do assassino, conhecemos o pai de Altair, sua amizade com Abbas e o que os fez se tornarem inimigos mortais. Não falarei muito mais sobre o enredo, para não estragar possíveis surpresas.
A LEITURA
A história é contada pelo ponto de vista de Nicolo Polo, pai do aventureiro Marco Polo. Ele relata para seu irmão Matteo a história da misteriosa figura encapuzada presente no mesmo barco que eles que, segundo Nicolo, o próprio lhe confidenciou, assim como um livro entitulado Codex. Ou seja, vemos Altair e os personagens principais em 3ª pessoa.
Não é uma leitura difícil, aliás, o livro tem os jovens como público alvo e sua linguagem é mais contemporânea. As 336 páginas de um amarelo/bege claro garantem que a vista não se canse tão rápido. A velocidade em que os eventos acontecem estão na medida certa para o leitor não ficar entediado, com cenas descritas de um modo que garantem bastante ação e também tempo para o leitor raciocinar sobre os eventos das páginas anteriores. Não existem diálogos longos que possam causar alguma confusão. Aliás, o livro é muito bem escrito ao ponto de não existirem conflitos com relação ao enredo na cabeça do leitor. O único ponto do qual o autor pode ter viajado um pouco a bordo da nave espacial do The Sims é que, como disse, a história é contada por Nicolo, mas as vezes os sentimentos e tomadas de decisões feitas pelo assassino a partir de emoções nos faz pensar que é Altair quem está narrando, ou então um narrador onipresente (aquele que vê tudo que os personagens fazem, do além, e que não são é personagem da própria história, como Nicolo).
ALTAIR
A melhor parte do livro é que os fãs tem a oportunidade de relembrar a história do assassino nos games, tem relatos de seu passado e de seu futuro, que são inéditos. Isso nos dá a chance de conhecer o assassino tão fundo quanto sua Hidden Blade penetra em seus inimigos muito bem. Se você é emocional assim como eu, ficará até com pena do mesmo, mais pena do que a que você já sentia nos jogos. Os sofrimentos de Altair são bem explorados nos livros, diferentemente dos jogos. Os fatos não deixam dúvida de que Altair tem muito mais honra ao dever do que amor à vida de sua família ou à sua própria vida. Talvez por isso seja considerado o real fundador da Irmandade. Mostra-nos também que, apesar de ser um cara fodão, tem seus defeitos, como quando a humildade escapou de seu caráter e uma missão falha. Também o vemos perdido por estar envolvido com uma templária (e como na mão dela várias vezes). Isso mostra que o personagem Altair é muito bem desenvolvido, pois foram adicionadas várias facetas à um único ser e que existe outro personagem por detrás de sua personalidade fechada. Se você entende de Photoshop, saiba que Altair tem vários layers, uns apenas de efeitos, outros visíveis, e outros que foram apagados depois de cumprir seu papel.
CONCLUSÃO
Gostaria de lembrá-los que uma resenha é justamente uma visão pessoal que um leitor/usuário/cliente tem de determinado produto e que a mesma pode variar de pessoa para pessoa. Como sou fã de tudo ligado ao universo AC, tenho mais tendências a gostar do que desgostar. E pra mim, A Cruzada Secreta é até o presente momento o melhor livro de ficção que lí. Imagino que, até uma pessoa não ligada ao mundo dos videogames possa gostar da leitura.